15/12/2014, escrevo a data afim de me
organizar nesse espaço temporal, para que um dia eu me orgulhe por algum
motivo: seja ele ter tido essa conclusão, ou então por ter tido outra melhor em
um futuro espero eu que satisfatório. Quero com esse texto, sustentar um
argumento positivo sobre a religião, deixando de lado suas infelicidades e
problemáticas inegavelmente existentes, para encontrar os seguimentos que
tornam a atividade religiosa tão importante na vida de algumas das pessoas.
- “Foi na missa essa semana menino?” Essa pergunta resume parte da minha infância, cercado de pessoas bastante religiosas, os dogmas da instituição igreja sempre foram muito presentes em minha criação. Mesmo hoje, tendo eu me distanciado um pouco – quase totalmente, salvo cerimônias ou convenções sociais dessas que não se pode correr – nunca duvidei da importância que a religião tem sobre as pessoas, sobre o impacto que a monossilábica Fé, pesa em cada acontecimento, presente na vida de cada pessoa dessas: que ‘’ foram à missa essa semana”.
Não me lembro ao certo quando resolvi que não guardaria mais meus domingos, mas lembro muito bem que não foi – e não é – nada fácil essa rebeldia, ou como minha bisavó dizia: essa teimosia. Aliás, é muito mais difícil não ir, do que presenciar a bendita missa. Me parece que na cartilha do cidadão está escrito, ‘’ guardarás domingos e festas’’, mesmo eu acreditando que esse é um dos 10 mandamentos da Lei de Deus, e não da lei constitucional. Digo isso pois sua vida vira um imenso tribunal, onde uma massa de pessoas, dessas que perguntam se você foi a missa essa semana, exercem suas funções de juízes, com o dedo apontado para sua cara – mesmo que de forma figurada – fazendo desta situação uma espécie de exorcismo cômico, como se a sua opinião que tangencia a instituição religiosa fosse fruto de um demônio controlador de cérebros, ou algo parecido.
É a partir desse ponto, que eu passo a me questionar: qual realmente é o poder da religião sobre os homens? Descarto logo uma hipótese divina, pois invalidaria o que vivi até agora, e tudo o que ainda pretendo viver. Presencio diariamente a força que a religião, seja ela qual for, tem sobre seus fiéis, seja por meio de gratidão, de obrigação, cobrança, de esperança ou filosofia que é parte integrante dos dogmas religiosos. É tamanha a força, que se torna fácil encontrar algum que acredite que essa é a única das forças a ser alcançada.
Contudo me parece mais confortável pensar que essa força é puramente biológica. Parto do seguinte ponto: Todo ser humano, independente de idade, é capaz de aprender algo novo. Particularmente esse trecho prova, que parte da capacidade do homem, é de certa forma restrita ao poder do possessor. Em outras palavras, a capacidade que cada um de nós temos, vai além – e sempre além – do que de fato exercemos. ‘’ O homem é uma pedra, que começa a ser lapidada a partir do berço, e jamais será totalmente finalizada.’’ Mas onde a igreja entra nessa história?
A instituição Igreja, é uma das maiores ferramentas já criada pelo homem, pois através dela, milhões de pessoas diariamente tem acesso a parte da sua capacidade antes não alcançável, pois através da Fé, o ser humano consegue atingir feitos inimagináveis, mesmo que ele atribua estes a uma divindade: são esses os famosos milagres. É claro que no meio de tudo isso você pode lembrar que a religião foi também culpada por um grande retrocesso da humanidade chamado de Idade Média. Ou ainda hoje, é uma grande preocupação, por conta de inúmeros conflitos de diferentes proporções causados pela famosa intolerância religiosa.
Mas apegando-se apenas ao ponto positivo supracitado da Fé, onde ela amplia a capacidade de se realizar tarefas aparentemente improváveis: como ela faz isso? A resposta, em palavras bastante usuais, seria que ela ‘’ alivia sua barra’’, ou seja, quando você espera que alguma força lhe fará algum bem, o simples fato de incondicionalmente acreditar nisso, retira de suas costas o medo, a dúvida ou excesso de precauções que por vezes pode atrapalhar. Mesmo que essa força divina não exista, essa pessoa que acredita nela, e que foi isenta de seus bloqueios, tem sua capacidade ampliada, pois a coragem, a confiança e o fato de se tornar mais arrojado certamente aumentará as chances de êxito. Isso não significa que ocorreu um milagre, mas sim que o desvio da responsabilidade por meio da Fé, fez com que a capacidade dessa pessoa pudesse ser usufruída por ela, o que antes não era inacessível em função desses bloqueios agora inexistentes.
Tendo em vista portanto, que toda força divina é o acesso ampliado da capacidade humana, por meio da Fé, porque então algumas pessoas continuam, nas mais variadas proporções, fomentando guerras em nome da Religião? Antes de pontuarmos os motivos dessas brigas, precisamos entender os motivos e o contexto em que a religião foi criada.
O ser humano, diferente de todos os outros animais, possui uma peculiaridade, que é justamente o que nos diferencia dos demais habitantes do planeta. Essa singularidade leva o nome de ‘’ Significância’’, que seria resumidamente, a capacidade do homem em dar significado a algum objeto inanimado. Uma foto por exemplo, para qualquer outro animal não passaria de objeto, porém para nós seres humanos, uma foto nos traz lembranças, sentimentos, emoções, e é essa capacidade que conhecemos por significância. O mesmo se aplica a outros acontecimentos, como por exemplo: a morte. O ato de morrer, é natural e inevitável, para a natureza inclusive, a morte significa apenas o funcionamento da seleção natural, essencial ao equilíbrio do planeta. Entretanto a morte para o ser humano tem outra cara, pois ele atribui ao próximo, sentimentos, e principalmente, ao ver o próximo morrer ele percebe que aquilo acontecerá à ele também, e é ai que surge a religião. A necessidade do homem, por ser psicologicamente incapaz - em função da Significância atribuída – de aceitar a morte, ou algum outro fenômeno que ele seja incapaz de lidar sozinho, fez com que ele buscasse no meio sobrenatural uma forma de ajuda, de apoio, de conforto. E é esse o papel que a religião tem até hoje, confortar, ser o suporte para seus seguidores a partir do ponto que esses não podem mais suportar sozinhos.
Portanto, admitindo que as pessoas são psicologicamente diferentes, a necessidade desse apoio também se mostra assim entre elas. Para alguns, a religião é o único modo de suportar a vida e suas peculiaridades. Mas da mesma forma que existem pessoas majoritariamente necessitadas de religião, existem aquelas que não possuem necessidade alguma, pois são psicologicamente capazes de reagir as adversidades, sem a necessidade desse conforto e ajuda, tão importante para os outros.
É obrigatória a existência do respeito para com essas pessoas que precisam de uma base de sustentação, e que por meio da Fé redirecionam a responsabilidade que é a simples tarefa de viver. São essas pessoas que somam a grande maioria da população, e sua vasta gama de religiões. Tão importante quanto, é o contrário, que nem sempre é verdadeiro. A dificuldade de compreensão da grande maioria de indivíduos, daqueles que fazem parte do coletivo necessitado de religião, gera um desconforto em razão de existirem pessoas sem essa necessidade. É frequente a observação de intolerância com aqueles que são felizes mesmo sem a Religião como ferramenta, e essa é outra das infelicidades religiosas.
- “Foi na missa essa semana menino?” Essa pergunta resume parte da minha infância, cercado de pessoas bastante religiosas, os dogmas da instituição igreja sempre foram muito presentes em minha criação. Mesmo hoje, tendo eu me distanciado um pouco – quase totalmente, salvo cerimônias ou convenções sociais dessas que não se pode correr – nunca duvidei da importância que a religião tem sobre as pessoas, sobre o impacto que a monossilábica Fé, pesa em cada acontecimento, presente na vida de cada pessoa dessas: que ‘’ foram à missa essa semana”.
Não me lembro ao certo quando resolvi que não guardaria mais meus domingos, mas lembro muito bem que não foi – e não é – nada fácil essa rebeldia, ou como minha bisavó dizia: essa teimosia. Aliás, é muito mais difícil não ir, do que presenciar a bendita missa. Me parece que na cartilha do cidadão está escrito, ‘’ guardarás domingos e festas’’, mesmo eu acreditando que esse é um dos 10 mandamentos da Lei de Deus, e não da lei constitucional. Digo isso pois sua vida vira um imenso tribunal, onde uma massa de pessoas, dessas que perguntam se você foi a missa essa semana, exercem suas funções de juízes, com o dedo apontado para sua cara – mesmo que de forma figurada – fazendo desta situação uma espécie de exorcismo cômico, como se a sua opinião que tangencia a instituição religiosa fosse fruto de um demônio controlador de cérebros, ou algo parecido.
É a partir desse ponto, que eu passo a me questionar: qual realmente é o poder da religião sobre os homens? Descarto logo uma hipótese divina, pois invalidaria o que vivi até agora, e tudo o que ainda pretendo viver. Presencio diariamente a força que a religião, seja ela qual for, tem sobre seus fiéis, seja por meio de gratidão, de obrigação, cobrança, de esperança ou filosofia que é parte integrante dos dogmas religiosos. É tamanha a força, que se torna fácil encontrar algum que acredite que essa é a única das forças a ser alcançada.
Contudo me parece mais confortável pensar que essa força é puramente biológica. Parto do seguinte ponto: Todo ser humano, independente de idade, é capaz de aprender algo novo. Particularmente esse trecho prova, que parte da capacidade do homem, é de certa forma restrita ao poder do possessor. Em outras palavras, a capacidade que cada um de nós temos, vai além – e sempre além – do que de fato exercemos. ‘’ O homem é uma pedra, que começa a ser lapidada a partir do berço, e jamais será totalmente finalizada.’’ Mas onde a igreja entra nessa história?
A instituição Igreja, é uma das maiores ferramentas já criada pelo homem, pois através dela, milhões de pessoas diariamente tem acesso a parte da sua capacidade antes não alcançável, pois através da Fé, o ser humano consegue atingir feitos inimagináveis, mesmo que ele atribua estes a uma divindade: são esses os famosos milagres. É claro que no meio de tudo isso você pode lembrar que a religião foi também culpada por um grande retrocesso da humanidade chamado de Idade Média. Ou ainda hoje, é uma grande preocupação, por conta de inúmeros conflitos de diferentes proporções causados pela famosa intolerância religiosa.
Mas apegando-se apenas ao ponto positivo supracitado da Fé, onde ela amplia a capacidade de se realizar tarefas aparentemente improváveis: como ela faz isso? A resposta, em palavras bastante usuais, seria que ela ‘’ alivia sua barra’’, ou seja, quando você espera que alguma força lhe fará algum bem, o simples fato de incondicionalmente acreditar nisso, retira de suas costas o medo, a dúvida ou excesso de precauções que por vezes pode atrapalhar. Mesmo que essa força divina não exista, essa pessoa que acredita nela, e que foi isenta de seus bloqueios, tem sua capacidade ampliada, pois a coragem, a confiança e o fato de se tornar mais arrojado certamente aumentará as chances de êxito. Isso não significa que ocorreu um milagre, mas sim que o desvio da responsabilidade por meio da Fé, fez com que a capacidade dessa pessoa pudesse ser usufruída por ela, o que antes não era inacessível em função desses bloqueios agora inexistentes.
Tendo em vista portanto, que toda força divina é o acesso ampliado da capacidade humana, por meio da Fé, porque então algumas pessoas continuam, nas mais variadas proporções, fomentando guerras em nome da Religião? Antes de pontuarmos os motivos dessas brigas, precisamos entender os motivos e o contexto em que a religião foi criada.
O ser humano, diferente de todos os outros animais, possui uma peculiaridade, que é justamente o que nos diferencia dos demais habitantes do planeta. Essa singularidade leva o nome de ‘’ Significância’’, que seria resumidamente, a capacidade do homem em dar significado a algum objeto inanimado. Uma foto por exemplo, para qualquer outro animal não passaria de objeto, porém para nós seres humanos, uma foto nos traz lembranças, sentimentos, emoções, e é essa capacidade que conhecemos por significância. O mesmo se aplica a outros acontecimentos, como por exemplo: a morte. O ato de morrer, é natural e inevitável, para a natureza inclusive, a morte significa apenas o funcionamento da seleção natural, essencial ao equilíbrio do planeta. Entretanto a morte para o ser humano tem outra cara, pois ele atribui ao próximo, sentimentos, e principalmente, ao ver o próximo morrer ele percebe que aquilo acontecerá à ele também, e é ai que surge a religião. A necessidade do homem, por ser psicologicamente incapaz - em função da Significância atribuída – de aceitar a morte, ou algum outro fenômeno que ele seja incapaz de lidar sozinho, fez com que ele buscasse no meio sobrenatural uma forma de ajuda, de apoio, de conforto. E é esse o papel que a religião tem até hoje, confortar, ser o suporte para seus seguidores a partir do ponto que esses não podem mais suportar sozinhos.
Portanto, admitindo que as pessoas são psicologicamente diferentes, a necessidade desse apoio também se mostra assim entre elas. Para alguns, a religião é o único modo de suportar a vida e suas peculiaridades. Mas da mesma forma que existem pessoas majoritariamente necessitadas de religião, existem aquelas que não possuem necessidade alguma, pois são psicologicamente capazes de reagir as adversidades, sem a necessidade desse conforto e ajuda, tão importante para os outros.
É obrigatória a existência do respeito para com essas pessoas que precisam de uma base de sustentação, e que por meio da Fé redirecionam a responsabilidade que é a simples tarefa de viver. São essas pessoas que somam a grande maioria da população, e sua vasta gama de religiões. Tão importante quanto, é o contrário, que nem sempre é verdadeiro. A dificuldade de compreensão da grande maioria de indivíduos, daqueles que fazem parte do coletivo necessitado de religião, gera um desconforto em razão de existirem pessoas sem essa necessidade. É frequente a observação de intolerância com aqueles que são felizes mesmo sem a Religião como ferramenta, e essa é outra das infelicidades religiosas.
Guilherme Ansolin



